Estou farto de ouvir a mesma conversa de sempre: que Portugal só serve para servir imperiais a bifes e que a nossa industria não tem escala nenhuma. Malta, abram os olhos. Há três setores que se estão a fundir de forma perfeita no país e que vão ditar quem manda nisto nos próximos dez anos: Data Centers, Portos e Drones.
Isto não é conversa de politico em ano de eleições. É dinheiro real e projetos reais a acontecer no eixo Sines-Alcochete, muito à boleia do que chamam de tecnologia dual (coisas civis que no fundo tb servem para a defesa e para a NATO).
O plano assenta em 3 pilares e gostava de ver a vossa opinião:
- Data Centers gigantes (A nossa nova mina de ouro)
Portugal transformou-se no grande ponto de amarração de cabos submarinos. Sines é hoje o maior polo de processamento de dados da Europa. O projeto da Start Campus e o investimento gigante que a Microsoft anunciou em chips da NVIDIA para Inteligência Artificial põe o pais na linha da frente. Numa altura em que cibersegurança e soberania de dados são tudo, quem domina a IA e a nuvem domina o futuro.
- Portos a sério (Mais do que caixotes de metal)
Os nossos portos estão a deixar de ser só para descarregar mercadoria. O Porto de Sines está a adaptar a infraestrutura com novos cais preparados especificamente para logistica militar e receber navios da NATO. Estamos a posicionar-nos como o grande hub logístico do Atlantico. Se a Europa precisar de apoio logístico rápido, a porta de entrada somos nós.
- Drones e Robótica (Onde damos cartas)
Vigiar a nossa costa gigante exige tecnologia, não dá para ir lá de caravela. É aqui que os drones entram. Portugal já é uma referencia internacional em sistemas aéreos e submarinos não tripulados (vejam o exemplo da Tekever). O próprio Exercito já começou a mandar drones de fabrico nacional para missões da NATO. E a Marinha prepara-se para estrear o NRP D. João II, que vai ser o primeiro navio porta-drones da Europa.
O problema do costume: Vamos estragar isto?
Isto faz sentido porque junta as nossas PME em clusters como o AED Portugal, dando-lhes a escala que nunca tiveram sozinhas. Deixamos de ser fornecedores de vão de escada para passar a vender para os maiores construtores do mundo.
O futuro não é construir tanques ou fabricar carros. É ser o centro logístico e os olhos tecnologicos do Atlântico.
Agora a minha questão para o debate: O plano é brutal, mas conhecendo a nossa burocracia e o fetiche por tapar buracos na TAP ou na Efacec... acham que vamos mesmo conseguir executar isto a tempo ou os politicos vão arranjar maneira de estragar tudo e perder esta carruagem