Olá! Queria partilhar convosco a minha história e o meu percurso até aqui. (se isto não fizer sentido estar aqui, eu posso eliminar)
Desde miúdo que sempre tive uma paixão enorme pelo desporto e por computadores. A minha vida em criança resumia-se praticamente a jogar à bola e, quando não estava a jogar, estava no computador a fazer de tudo e mais alguma coisa.
Aos 18 anos fui para a faculdade tirar Ciências do Desporto, na área do fitness. Gostava especialmente da vertente de ajudar atletas a melhorar a sua performance após uma lesão. Terminei a licenciatura e entrei num mestrado na área do rendimento desportivo.
Foi precisamente nesse ano de mestrado que apareceu a COVID. De repente, tudo parou e ficámos todos em casa, sem saber muito bem o que esperar
Nessa altura, a área do fitness teve um crescimento enorme nas redes sociais e tentei aproveitar essa oportunidade para entrar também no mercado de trabalho. No entanto, rapidamente percebi que não sou uma pessoa que se consiga expor dessa forma nas redes sociais,
Foi aí que começaram a surgir ainda mais dúvidas, dúvidas que, na verdade, já me passavam pela cabeça há algum tempo: “Será que é mesmo isto que eu quero?”, “Será que vou ser feliz a fazer isto?”
A 'pausa' acabou por me dar tempo para tentar perceber o que realmente queria fazer da minha vida. Já tinha 25/26 anos quando decidi que queria dar um rumo diferente ao meu percurso e começar Engenharia Informática.
Comecei então a estudar por mim enquanto esperava que a vida voltasse ao normal. Fui aprendendo JavaScript, TypeScript, Python, Java e outras coisas relacionadas com programação, mas tudo doo simples.
Desde miúdo que sempre quis conquistar e construir as coisas por mim próprio e nunca iria pedir aos meus pais para me pagarem uma segunda licenciatura.
Foi por isso que, nesse mesmo ano, entrei para a Polícia.
Sabia que o meu pai não ia gostar muito da ideia. Na cabeça dele seria algo do género: “Paguei-te uma licenciatura e agora lembraste de ir para uma coisa que não tem nada a ver contigo?”
Por isso, comecei o processo sem ele saber. Quando descobriu, já eu estava a meio do concurso. Ficou quase um mês chateado comigo e praticamente sem me falar, mas expliquei-lhe qual era o meu verdadeiro objetivo: tornar-me independente, voltar à universidade e tirar Engenharia Informática. E foi isso que fiz. A minha vida desde então não tem sido propriamente fácil.
Trabalho por turnos e tento ir sempre às aulas, apesar de, por ser trabalhador-estudante, não chumbar por faltas. Percebi logo na primeira semana que não iria conseguir fazer o curso apenas aparecendo nos exames, por isso faço tudo o que consigo para estar presente.
Todas as semanas há pelo menos um dia em que acabo por passar 27/28 horas acordado para conseguir conciliar tudo. Há dias em que acordo às 6h para entrar ao serviço às 8h, saio às 16h, tenho aulas das 18h às 22h30/23h e volto novamente ao trabalho da meia-noite até às 8h da manhã.
E existe também aquela pressão de sentir que já não tenho 20 anos.
No trabalho, nem sempre é fácil ser trabalhador-estudante. Os chefes e alguns colegas não gostam particularmente da situação e, por vezes, sinto que existe uma pressão adicional ou que acabam por “abusar” um pouco por saberem que estou nesta condição.
Toda a gente sabe que nunca me identifiquei totalmente com aquele ambiente, mas, apesar disso, sempre tive o compromisso de fazer o meu trabalho da melhor forma, ajudar e ser um bom polícia até ao meu último dia.
Apesar de tudo, esta luta tem sido desafiante, mas também gratificante.
Entrei no curso há dois anos e, até agora, não deixei nenhuma cadeira para trás. vai começar agora o 3.º ano.
Só que, à medida que me aproximo do final (eu já posso sair da Policia em Outubro deste ano), começam a surgir várias dúvidas na minha cabeça:
-Será que alguém me vai dar uma oportunidade de emprego aos 32 anos?
-Vou estar a competir com miúdos na casa dos 20 anos. Por que razão uma empresa haveria de olhar para mim aos 32?
-Venho de dois mundos que, à primeira vista, não têm praticamente nada a ver com Engenharia Informática: Ciências do Desporto e Polícia.
-Também não tenho experiência profissional significativa na área para apresentar.
A única coisa que tenho e que acho que poderá fazer algum sentido mencionar é um projeto pessoal que desenvolvi porque identifiquei aquilo que me pareceu ser um pequeno nicho: o (crotrustify.com) Se não for permitido partilhar links aqui, eu apago. Não estou a tentar promover nada.
No fundo, gostava de ouvir opiniões de pessoas da área ou de quem tenha passado por algo semelhante. Acham que estou demasiado atrasado para entrar na área aos 32 anos? Como olhariam para um perfil como o meu?